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Tavira distingue pescadores

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Tavira distingue pescadoresNo âmbito das comemorações do Dia Nacional do Pescador decorre, no dia 31 de maio, pelas 12h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a sessão solene de reconhecimento aos pescadores locais, antecedida de bênção do rio e dos pescadores (10h30 – ponte antiga) e de homenagem aos pescadores falecidos, na missa de Pentecostes (11h00 – Igreja de Santa Maria do Castelo).

A celebração consiste no reconhecimento e na valorização de uma vida dedicada ao mar. António do Carmo (Cabanas), António Francisco Vieira (Santa Luzia), António Josefino Menau Ramos e Décio Augusto Rodrigues (Tavira) são os distinguidos deste ano.

António do Carmo - Cabanas

Nasceu na madrugada de 26 de novembro de 1943, em Cabanas. Filho de pescador viria a seguir a profissão do pai. Com apenas 10 anos, finda a 4.ª Classe, foi trabalhar com o pai, numa lancha à vela e remos.

Aos 20 anos, incorporou a Armada Portuguesa, onde serviu durante quatro anos, tendo feito formação na área de eletrónica como técnico de rádio e televisão. Regressado da Armada, trabalhou como encarregado, em part-time, na Casa do Povo da Conceição, onde funcionava um Posto Médico da Caixa de Previdência.

Filho de pescador, não se podia desligar do mar!... Com horários separados, fazia pesca, instalações elétricas e consertava rádios e televisões e assim tem sido até à presente data.

António Francisco Vieira – Santa Luzia

António Francisco Vieira, de 78 anos, natural da freguesia de Santa Luzia, é proveniente de uma família de pescadores.

Deixou de estudar muito cedo, aos 11 anos, para ajudar os seus pais que eram pescadores na Armação do Atum, no Barril. Foi nesta altura, que iniciou a sua vida como pescador, na arte da sacada. As suas histórias e aventuras são muitas para contar.

Aos 18 anos, foi para Marrocos, para a Armação do Atum, regressando no ano seguinte, para a Armação do Barril.

No ano de 1964, com 25 anos de idade, emigrou junto com a sua família, para Luanda, onde se dedicou à pesca da traineira. Regressou ao seu país, tal como muitos portugueses, após o 25 de Abril de 1974.

A partir daí, trabalhou na pesca do polvo, até ao ano de 1982, ano em que, infelizmente, e por motivos de saúde, foi obrigado a abandonar o mar, reformando-se por invalidez, com apenas 43 anos de idade.

Apesar da sua incapacidade física, nunca deixou de estar ligado à pesca. Possuiu uma embarcação própria de pesca artesanal, com o nome de “Atum”, a qual continuou a ser liderada pelo seu filho mais velho.

Atualmente, junto com o seu irmão, dedica-se diariamente, a trabalhar em terra, na recuperação das artes de pesca.

Apesar do seu percurso de vida de pescador ter sido interrompido, por motivos de força maior, o mar é a sua paixão…

António Josefino Menau Ramos – Tavira

António Josefino Menau Ramos (1947), oriundo da Ilha da Culatra, foi morar para Santa Luzia aos 13 anos.

Ganhou o gosto pelo mar, por influência dos avós e pais, todos pescadores, assim como pelo local onde vivia. Começou, desde muito novo, a apanhar marisco, deixando, por vezes, a escola para segundo plano.

Em Santa Luzia, conheceu várias embarcações e outros tantos mestres. Aos 15 anos andou numa embarcação na Fuseta e aos 18, nas traineiras, em Portimão.

Aos 20 anos, assentou praça, em Elvas, tendo sido transferido, posteriormente, para Estremoz, onde integrou um batalhão que, mais tarde, com 21 anos, foi mobilizado para Angola, onde concluiu a tropa.

Terminada a tropa, decidiu ficar, atraído pela pesca e dimensão das traineiras. A família juntou-se e por lá permaneceram três anos, tendo regressado quatro meses antes do 25 de Abril de 1974. Fixou residência, em Tavira, e reiniciou a vida da pesca. Fez sociedade com o sogro e juntos compraram uma pequena embarcação.

Em 1975, comprou um barco maior com o nome “Artur Jorge” que os possibilitava fazer a faina na costa portuguesa, mas também na espanhola. Mais tarde, adquiriu outra embarcação maior com o nome “Praia do Algarve”. Depois do seu abate, comprou outro barco com o nome “Ondas Sagradas”, seguindo-se o “Praia da Rainha”, até 2006, ano em que se reformou.

Ainda hoje, mesmo aposentado, continua a apanhar marisco que para além de o ajudar a passar o tempo, possibilita-lhe o contacto com o mar.

Décio Augusto Rodrigues – Tavira

Décio Augusto Rodrigues, natural de Tavira, nasceu em 1940. Andou na escola, mas não chegou a concluir a escolaridade obrigatória.

Com aproximadamente 12 anos começou a aprender a profissão de carpinteiro, contudo, quando tinha apenas 13 anos, o seu pai faleceu, motivo pelo qual teve de iniciar a sua vida no mar.

Andou à pesca da sacada, do sardinhal, do biqueirão, do alcatruz, do anzol e na rede da malha, conhecendo muitas embarcações e tantos outros mestres.

Em 1961, então com 21 anos, foi para a tropa, em Braga, passando, depois, para Estremoz, onde chegou a ser mobilizado para o Ultramar, o que não veio a acontecer por já ser casado e ter um filho com sete meses, tendo invocado o amparo de família.

Quando regressou, por interferência do irmão mais velho, foi trabalhar para a Armação do Arraial Ferreira Neto, tendo permanecido durante cinco temporadas. Depois disso, andou em embarcações que pescavam em Portimão, Aveiro, Matosinhos, Espanha e Marrocos. Reformou-se com 62 anos com uma vida de mar de quase 50 anos.

fonte/cm-tavira

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Publicado por Rádio Gilão em Sexta-feira, 16 de Março de 2018

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