05 Dezembro 2014
CONSULTÓRIO DO CONSUMIDOR / DECO
"A resistência aos antibióticos: um perigo para a saúde pública.”
A DECO INFORMA…
Para denunciar a prescrição desnecessária de antibióticos, e a sua venda sem receita, a DECO realizou um estudo sobre esta matéria que tanto influi sobre a saúde pública.
Para o exame, a Associação contou com colaboradores que assumiram o papel de cliente mistério e visitaram 120 farmácias e unidades de saúde aleatoriamente escolhidos, na Grande Lisboa e Grande Porto.
A dor simulada foi a de garganta, traduzida num mero incómodo a engolir e sem febre ou outros sintomas.
Nas 50 consultas médicas, os profissionais observaram a garganta dos alegados doentes e procuraram inteirar-se dos sintomas associados. Porém, 20 receitaram um antibiótico. Nos restantes 30 casos, os utentes questionaram, sem insistir, se seria apropriado tomar um daqueles fármacos, tendo apenas um recebido a prescrição, mas com a indicação de que só deveria usá-lo se piorasse.
Nos estabelecimentos farmacêuticos, a situação mostra-se menos preocupante: dos 70 visitados e nos quais foi pedido um antibiótico sem receita médica, apenas um o dispensou. Todas as outras farmácias recomendaram essencialmente analgésicos e anti-inflamatórios, e algumas alertaram para a necessidade de consultar o médico, em caso de persistência ou agravamento do estado de saúde.
Embora o cenário se mostre mais positivo relativamente a estudo semelhante que publicámos em 2007, em que 12% das farmácias aviaram antibióticos sem receita, e 57% dos médicos prescreveram aqueles medicamentos para a dor de garganta, é ainda preocupante.
A utilização excessiva ou incorrecta de antibióticos acelera o aparecimento e a propagação de bactérias. Por essa razão, urge tomar medidas para penalizar os profissionais de saúde que prescrevam receitas contra a legis artis, mas também sensibilizar os consumidores para a necessidade de respeitarem as instruções médicas sobre a forma adequada de tomar os antibióticos.
DECO-Delegação Regional do Algarve